UNIÃO NACIONAL PARA A INDEPENDÊNCIA TOTAL DE ANGOLA

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Intervenção do Deputado Alcino Kuvalela

Intervenção Que Fez O MPLA Xinguilar Com O Fantasma Guerra…

Excelência Presidente da Assembleia Nacional Todo o protocolo observado.

Angola define-se como um Estado Democrático de Direito, conferindo, a todos os cidadãos amplos direitos fundamentais, entre os quais, o direito de oposição Democrática ao governo, aliás, sem oposição ao governo, não haveria democracia, aliás, nem sequer estaríamos aqui.

Povo angolano. Resistimos há 50 anos para a firmar a nossa civilização política ao mundo, a nossa identidade e a nossa visão de sociedade democrática, como homens livres e donos do seu destino. O colono português saiu, o cubano, o russo e o sul-africano também saíram. Porém, há entre nós um mau maior do que o colonialismo, que teima em não sair: A prepotência, ignorância e a mentalidade tacanha de alguns se julgarem deuses de Angola ao ponto de negarem aos seus próprios irmãos direitos fundamentais como a vida, educação, saúde e trabalho digno!

Lutamos por democracia, porque acreditamos que esse é o único caminho capaz de situar Angola nos marcos do desenvolvimento universal e da convivência harmoniosa na diferença. Sentamos à mesma mesa, dialogamos sobre as nossas diferenças, enterramos as nossas desavenças, abraçamo-nos e reconciliamo-nos, no intuito de construir um novo paradigma de vida e de competição política, assente no perdão mútuo e no reconhecimento dos interesses sublimes dos angolanos.

Não morremos pela democracia para sermos resignados e humilhados. Alguém mais uma vez está redefinindo o paradigma e continua a impor aos angolanos, um modelo arcaico, politicamente ruim e antagonista.Eles não estão preparados para o jogo democrático, aliás, “uma vez comunista, comunista para sempre”, como dizia alguém…

Vejamos.

Estamos em democracia, mas sempre que a UNITA usar do direito ao exercício de oposição, fiscalizar as acções do executivo, criticar a má gestão do erário, a Corrupção, a violação sistemática dos Direitos Humanos pelo governo, o MPLA responde com os fantasmas da guerra. Quer dizer, para o executivo angolano, a oposição não pode questionar os roubos e má gestão porque houve guerra, como se a guerra já enterrada, fosse uma carta-branca para o executivo fazer o que entender com o dinheiro do povo!?

Meus senhores e minhas senhoras! É democracia uma Televisão pública, convidar apenas membros do MPLA e dedicar 1H30 min de debate contra a UNITA e contra o seu líder, sem direito a defesa e ao contraditório? É democracia, os militantes do MPLA atacarem os Deputados do Grupo Parlamentar da UNITA, destruir os bens públicos e a Polícia calada? É normal num País democrático intimar um Deputado por delito de fiscalização ao executivo? Então para que serve o Deputado? A Polícia nacional prende ilegalmente Deputados do GPU e não há responsabilização, Mas que Pais é esse que desonra tanto aos seus próprios representantes? O País não vai desenvolver com uma democracia de ornamento, tão menos com um regime de morcego.

O nosso país é na sua dimensão ontológica, um mosaico heterogéneo de interesses expressos na cosmovisão de uma nação multiétnica, multicultural e multirracial, que constituem as raízes firmes da identidade política e a riqueza inabduzível do nosso nacionalismo. Nenhum movimento, partido político, presidente ou até potências do mundo, são capazes de revogar a nossa natureza heterogénea, brasão da nossa força e a expressão viva dos nossos interesses.

Excelências! Em 24 anos de Paz, podemos concluir que, não há razões humanas, nem causas tão profundas que nos separem abismalmente uns dos outros, que não possibilitem um aproximar sincero, um abraço de confiança e protecção mútua! O resto não passa de vaidades baratas e arrogância de pessoas amarguradas, talvez, na sua infância!

Angola precisa de uma liderança humanista, que olhe para a questão do poder político, como um mecanismo de força legal e legítima para realizar a prosperidade de todos angolanos na sua diversidade. Angola, precisa de um governo de todos e para todos, um governo que abrace o mérito como condição principal para o acesso e ascensão ao trabalho e não do cartão do militante.

Aqui vale lembrar as lições vivas deixadas pelo Papa Leão XIV, e quem tem ouvidos ouça e reposicione-se

“Felizes os pacificadores! Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vocês que detendes a autoridade no país acreditarem na multiformidade da sua riqueza. Não temeis as divergências, nem extinguis as visões dos jovens e os sonhos dos idosos. Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação. Colocai o bem comum acima das partes, não confundindo nunca a vossa parte com o todo”.

E aqui faço uma paragem para pedir aos que detêm o poder, para libertar todos os activistas presos por delito de opinião.

Muito obrigado Santo Padre pela visita a Angola. Nós povo angolano no geral e em especial, nós da UNITA, estamos a ser humilhados e negados a dignidade. Nossos filhos com os nossos sobrenomes, por mais mérito que tenham, são negados ao trabalho e a promoção de carreira, nas instituições públicas e até em empresas privadas. Outros membros da UNITA, estão a ser obrigados a receber o cartão de militante do MPLA, participar dos seus comícios sob risco de merecerem um despedimento silencioso.

Para piorar, nos Hospitais públicos, eles instalaram os Comités de especialidade de médicos e enfermeiros, que se dedicam essencialmente na vigilância dos políticos da UNITA que la vão. A maioria entrou com os seus próprios pés e saiu de lá gelados numa caixa, como que se ser da oposição ou fazer oposição ao governo fosse crime. Esta é infelizmente a verdade dura que vivemos em Angola.

50 anos de Independência, Ainda não nos reencontramos como seres humanos iguais nos direitos. Ainda não nos convencemos do que fazer e como fazer para construir o verdadeiro Estado democrático de Direito.

Porém, meus concidadãos, por mais que resistamos ao reencontro de irmãos, a nossa essência é democracia, os nossos desafios são a Democracia, o nosso desenvolvimento é a democracia, o nosso futuro é a democracia.

Por isso, O Projecto de Lei do Direito ao exercício de oposição democrática, traduz-se numa oportunidade essencial para a substantivação de uma democracia material, que desperta aos actores, principalmente os que detêm o poder político, à verdadeira cultura democrática.

Tudo por Angola e tudo pelos angolanos.

A Pátria em primeiro lugar

Etu mudietu. Muito obrigado.

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