Muito obrigada pela palavra, Sr. Presidente da Assembleia Nacional.
Todo o protocolo observado.
Angolanas e angolanos,
Há leis que organizam processos.
E há leis que revelam intenções.
Esta lei coloca-nos perante uma escolha clara:
Ou abrimos o processo eleitoral à vigilância do povo,
onde tudo pode ser visto, acompanhado e confirmado,
ou continuamos a aceitar um modelo fechado e com transparência limitada.
Neste momento, com a lei assim como está:
O povo angolano vota.
O povo angolano espera.
E no fim… o povo angolano desconfia.
E não desconfia por acaso.
Os números são claros:
Em 2008 tínhamos cerca de 1300 observadores.
Em 2022, pouco mais de 100.
Quer dizer, quanto mais o tempo passa, menos olhos acompanham as eleições e mais cresce a desconfiança.
Sejamos claros:
Uma lei que reduz ou limita a observação, não reforça a credibilidade do processo eleitoral.
Muito pelo contrário, enfraquece-a.
E não a enfraquece por falha técnica.
Enfraquece-a por escolha política.
Traduzindo: não estamos a falar de incapacidade, estamos a falar de opção, uma opção que fragiliza a confiança.
Mas hoje não estamos aqui para defender Partidos.
Estamos aqui para defender o voto do cidadão angolano.
E o voto não começa no dia da eleição.
Começa no registo,
passa pela organização,
pelo escrutínio,
e termina na proclamação dos resultados.
Angolanas e angolanos,
Se não acompanharmos todo o processo… não há transparência.
E foi por isso que o Grupo Parlamentar da UNITA apresentou esta proposta.
Uma proposta que:
Garante observação desde o início até ao fim do processo
Reforça a participação dos cidadãos
E estabelece regras claras e transparentes
Infelizmente nem todas as forças políticas representadas nesta Assembleia, bem como todos os que têm responsabilidade sobre o processo eleitoral, não estão comprometidos com a democracia, nem
compreenderam que esta lei não é dos Partidos.
Esta lei é do povo.
E existe para proteger o voto do cidadão angolano.
O Grupo Parlamentar da UNITA vota a favor do Projecto de Lei da Observação Eleitoral, porque acredita que eleições credíveis não se pedem, constroem-se com transparência, participação e verdade.
Muito obrigada.
Luanda, 23 de Abril de 2026
Irina Diniz Ferreira