O Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior responsabilizou o governador provincial do Uige e a polícia nacional pela implantação do estado de guerra e de intolerância política que inviabilizou o acto político de massas do partido, no dia 8 de Agosto de 2026.
“Estamos a observar aquilo que parece-nos um estado de guerra. Algo que nós próprios questionamos”, declarou o líder da UNITA na sequencia dos acontecimentos de sábado.
Acrescentou que o partido “informou o governo provincial e informou as estruturas de responsabilidade, a polícia de que estaria na cidade do Uíge, com os actos e os factos que aqui foram enunciados”.
“Dá ideia que o governo, as suas instituições não estão à altura de poder garantir a pluralidade democrática, a liberdade que qualquer cidadão, qualquer partido político tem direito”, sublinhou.
O Presidente da UNITA criticou o que chama de ambiente de campanha eleitoral fora do tempo, protagonizado pelo partido no poder o MPLA na província, em violação à constituição da República.
“Nós encontramos os municípios todos engalanados com bandeiras, fitas, posters do MPLA em todos os elementos públicos, como uma indicação de que estávamos num ato de uma campanha eleitoral”, denunciou o líder partidário, afirmando que só se pode proceder a este tipo de actos quando se está efetivamente em campanha eleitoral.
Na sua comunicação feita após o boicote do acto político de massas do partido, o Presidente da UNITA atribuiu os actos à dualidade de funções de governador e primeiro-secretário numa única figura, o que muitas vezes contribui para o clima de intolerância política.
Não é primeira vez que a UNITA se confronta com situação do género em as suas actividades são boicotadas por elemento do partido no poder.
“O Uíge, infelizmente, tem sido exposto, ao longo dos últimos anos, com actos deste género. Nós, há cerca de 10 anos a esta parte, tivemos incidentes do mesmo género”, revelou Adalberto Costa Júnior.
“Quando convocamos algum acto, o Partido Regime convoca para o mesmo lugar o mesmo acto. Isto aconteceu no 13 de marçode 2011, isto aconteceu em 2016, isto está a acontecer de novo hoje”, denunciou o responsável da UNITA.
De acordo com o Presidente da UNITA, o governador impôs ao partido um local que não estava em condições, então, a UNITA decidiu realizar o seu acto em frente à sua sede na cidade, quando hoje amanheceu, tinha um aparato, como em estado de guerra, a fechar as ruas todas da cidade e a impedir as pessoas de se deslocarem à sede do partido.
Lembrar que a UNITA, maior partido na oposição em Angola, tinha programado a realização do acto central do 3 de agosto, neste sábado, 09 de agosto de 2026, em celebração dos 92 anos do líder fundador do partido.
O acto foi boicotado pela polícia que sitiou e atacou a sede do Partido, que albergaria a actividade, tendo lançado gás lacrimogénio e balas reais aos membros da UNITA e a população no local.
Efectivos da polícia nacional distribuídos pela cidade impediram a deslocação da população ao local preparado para acolher o acto de massas.
O balanço da intervenção da polícia nacional e PIR até nesse preciso momento são 31 cidadãos feridos contabilizados, dos quais 10 em estado grave a receber assistência médica.

