Na luta democrática pela conquista do poder político, os partidos desempenham um papel importante mas a cidadania é absolutamente essencial. Em democracia, o poder não pertence aos partidos enquanto estruturas, mas ao povo enquanto sujeito soberano.
Os partidos políticos existem para criar as condições legais e legítimas de acesso ao poder, apresentar projectos de sociedade, formar lideranças e organizar a acção política. Cabe-lhes também a responsabilidade de transformar as expectativas, as angústias e as frustrações dos cidadãos em políticas públicas capazes de responder aos reais problemas do país.
Convém, no entanto, dizê-lo sem rodeios: não existe nenhum partido político com o número de militantes suficientes para, sozinho, ganhar uma eleição. As vitórias eleitorais constroem-se quando a maioria dos cidadãos, para além das fileiras partidárias, se revê num projecto de governo credível e sente que esse projecto responde às suas necessidades concretas.
O voto do cidadão angolano não deve ser encarado como um acto de fidelidade permanente, mas como uma escolha consciente e responsável. Quando a população se concentra num projecto político, o partido deixa de ser um fim em si mesmo e assume o seu verdadeiro papel: o de facilitador da vontade popular.
Uma democracia sólida exige partidos abertos à sociedade e uma cidadania activa, crítica e participativa.
Sempre que os partidos se afastam do povo, o poder perde legitimidade; sempre que o cidadão é valorizado, a democracia fortalece-se.




