O parlamento angolano rejeitou nesta quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2025, o voto de protesto da UNITA sobre a “detenção ilegal” dos Deputados do círculo Provincial do Kwanza-Norte, quando participavam de uma manifestação pacifica para exigir que as autoridades investiguem o assassinato de mais de 17 Camponesas das suas lavras.
De acordo com a informação do Novo Jornal na sua edição de quinta-feira (20), o “protesto de detenção ilegal” dos deputados Francisco Fernandes Falua e João Quipipa Dias, do círculo provincial do Kwanza- Norte, foi reprovado com 78 votos a favor da UNITA e 107 votos contra do MPLA.
Segundo A Assembleia Nacional rejeitou o requerimento do maior Partido da Oposição, alegando que o assunto não constava da agenda da II Reunião Plenária Ordinária desta quinta-feira (20).
Recorde-se que a UNITA denunciou, em nota de imprensa de segunda-feira, 17 de Fevereiro do corrente ano, que dois deputados, Francisco Fernandes Falua e João Quipipa Dias, foram detidos e vítimas de violência policial, quando, no dia 16 deste mês, participavam numa manifesta pacífica para exigir que as autoridades investiguem casos de assassinato com celeridade e prioridade.
“Estamos a exigir que os órgãos de Justiça continuem a aprofundar a investigação. E sabemos que dos 17 casos de cidadãs que foram assassinadas nesta província, 12 foram esclarecidas e cinco estão por esclarecer”, disse aos jornalistas o presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Liberty Chiyaka, que liderou una delegação de parlamentares do partido que estiveram segunda-feira (17), na província do Kwanza Norte, para obter informações sobre a situação.
Para Liberty Chiyaka, o Grupo Parlamentar da UNITA não pode ficar indiferente à situação, enquanto todos os crimes não forem esclarecidos.
“Não queremos que a situação de assassinato continue nesta província do Kwanza- Norte, e nós vamos juntar energias e empenho para que procuremos salvaguardar a paz pública e a defesa de interesse das pessoas”, acrescentou.
Por sua vez a Polícia Nacional na província do Kwanza-Norte afirmou que no dia 16 de Fevereiro tomou conhecimento, por via de uma denuncia pública, da interdição da Estrada Nacional 230 por pessoas não identificadas “que impediam a circulação”.
Avança a Polícia, nesta concentração havia mais de 50 pessoas trajadas com indumentárias pretas, que alegadamente protestavam pelas mortes de anciãs nos campos de cultivo.
“Durante a reposição da ordem, os cidadãos envolvidos nesta acção insurgiram-se contra os agentes em serviço, tendo sido recolhidos para a esquadra mais próxima. Depois de devidamente identificados, percebeu-se a presença dos deputados à Assembleia Nacional, tendo os mesmos sido de imediato postos em liberdade”, informa a polícia.
Acrescentando que “muitos cidadãos envolvidos nesta acção voltaram novamente às ruas protagonizando ainda mais actos de arruaça e desordem pública, o que obrigou agentes da polícia a procederem a novas detenções para a reposição da ordem”, frisou a polícia.