O Presidente da UNITA durante a sua comunicacão à Nação proferida nesta quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, em Luanda, realizada na sede do Grupo Parlamentar do partido, defendeu que, o Estado da Nação não se mede apenas pelo número de obras inauguradas, pelo volume de investimento anunciado pela taxa de crescimento divulgada.
Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA, que discursava em antecipação ao discurso do Estado da Nação do Presidente da República esta quinta-feira, na Assembleia Nacional para a abertura do último ano parlamentar da quinta legislatura da Assembleia Nacional, afirmou que, o Estado da Nação mede-se pela capacidade de um cidadão encontrar trabalho digno, alimentar a família, levar os filhos à escola, ter um hospital que o atenda, ter água e energia em casa, circular em segurança e viver num país em que a lei se aplique igual para todos.
Na sua intervenção em que transcorreu sobre vários aspectos do presente, curto e longo prazo da vida nacional, desde questões política, social e judicial, o Presidente da UNITA recordou que, há nove anos, em setembro de 2017, o Presidente João Lourenço tomou posse, prometendo combater a corrupção, diversificar a economia, criar empregos e reduzir a pobreza.
“Passaram dois mandatos, dois planos nacionais de desenvolvimento, centenas de decretos, milhares de milhões de dólares de receitas petrolíferas, um número sem fim de contratações simplificadas, um elevado número de contratos sem concursos públicos, promovendo a corrupção e promessas sem fim”.
“Por isso, a pergunta que hoje coloco, e que cada angolano deve colocar, é simples. Vivemos hoje melhor do que vivíamos há nove anos? Vivemos? Vou responder com números. Com os números do Instituto Nacional de Estatística, do Ministério das Finanças, do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e das Nações Unidas”.
Respondendo as várias questões com base em estatísitcas, e partindo dos dados do censo geral da populção, afirmou que, a 19 de setembro de 2024, éramos 36.640.681 angolanos, em 2014, éramos 25.800.000; crescemos 11 milhões de pessoas em 10 anos; aum ritmo de 3,5% ao ano.
O líder da UNITA, defendeu que, somos um país que cresce 1% por uma população a crescer 3,5% está em média a empobrecer substantivamente, a idade mediana é de 18 anos. 4 em cada 10 angolanos têm menos de 15 anos, e 6 em cada 10 têm menos de 25.
“Isto é uma riqueza imensa. São braços, mentes e energia para produzir. Mas é também uma exigência enorme. Cada ano, centenas de milhares de jovens batem à porta do mercado de trabalho, da escola e da universidade. E parte substancial não encontra respostas às suas necessidades”.
“Se o país não lhes der emprego, ensino e esperança, a mesma demografia que poderia ser um dividendo transforma-se num enorme risco social”, disse o Presidente da UNITA, para que, hoje, somos um país urbano de 65,5% dos angolanos a viverem nas cidades.
O Presidente da UNITA reconheceu haver melhoria da rede pública da eletricidade, da água apropriada para beber chega a 56% contra 44% há 10 anos.
Segundo o líder partidário, o registro do nascimento subiu de 53% para 63%; a proporção de adultos com o segundo ciclo do secundário concluído quase duplicou, de 13% para 25%, Melhorou; stes avanços são reais; devem-se também ao esforço de muitas famílias e de muitas pessoas individuais.
Para o líder da UNITA, piorou essencialmente o acesso à escola: em 2024, 4,5 milhões de crianças e jovens entre os 5 e os 18 anos estão fora do sistema de ensino, mais do dobro de 2014; a taxa líquida de frequência do ensino primário desceu de 74% para 62%; a alfabetização dos jovens entre os 15 e os 24 anos recuou: de 77% para 75%. “Uma geração inteira está a ficar para trás. Precisamente aquela que devia construir a economia produtiva em 2037. Que é a altura em que se tornarão angolanos adultos. O fosso entre a cidade e o campo. Este fosso preocupa”.



