O bajulador é uma figura que, por mais que pareça ser um aliado fiel, não passa de um agente de traição silenciosa. Sua presença é efêmera, pois se alimenta da efemeridade do poder e da vulnerabilidade de quem serve. O bajulador não oferece lealdade verdadeira, mas sim uma falsa protecção que, ao longo do tempo, mina a confiança e enfraquece a própria pessoa que ele tenta enaltecer. Ele pode até parecer ser o apoio inabalável durante um período conturbado, mas quando os ventos da mudança chegam, o bajulador desaparece, sem deixar vestígios de sua ajuda, pronto para se aliar a quem estiver no topo.
Essa relação de bajulação não traz benefício a quem serve, mas, ao contrário, acelera a queda da pessoa que é alvo dessa adulação. O bajulador, ao se insinuar como um pilar de apoio, na realidade está construindo um fosso em torno da pessoa que se deixa seduzir por suas palavras e gestos. Ele cava o buraco, talvez sem que o bajulado perceba, mas sempre com a intenção de garantir sua própria sobrevivência, movendo-se nas sombras à espera da próxima mudança de maré.
A história é rica em exemplos de como os bajuladores agem como vultos temporários nas vidas de grandes figuras. Eles aparecem quando o poder parece sólido, mas se esvanecem com a chegada da incerteza. Um caso clássico pode ser observado em figuras históricas que, ao longo do tempo, foram arrastadas por esses bajuladores. Em Angola, por exemplo, não faltam relatos de como certas alianças foram sustentadas por pessoas que, em nome do poder, serviram aos interesses dos regimes coloniais e que, ao final, não fizeram mais do que aprofundar a miséria e as divisões.
A mentalidade de bajular, de adular sem critério, reflecte uma pobreza de espírito e uma falta de carácter. Ao se aliar a figuras opressoras ou a regimes autoritários, o bajulador não apenas está comprometendo sua própria integridade, mas também colocando em risco as gerações futuras, que herdarão as consequências das acções de bajulação. O medo, o interesse pessoal e a ambição são os motores que movem o bajulador, mas é necessário perceber que esse comportamento é uma doença social que contamina as relações humanas e destrói os alicerces de uma verdadeira liderança.
O bajulador é, portanto, um símbolo da falta de ética, da busca desesperada por poder e da deslealdade disfarçada de apoio. No final, aqueles que caem na armadilha do bajulador se veem sozinhos, abandonados, enquanto o bajulador, já em busca de novas vítimas, segue em sua trajectória de traições. A verdade é simples: bajulador não faz bem a quem serve, e seu legado é sempre o mesmo: destruição e vazio.
Por Kamalata Numa
Huambo, 19/03/2025