Uma delegação do Grupo Parlamentar da UNITA visitou na manhã desta quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026, os estaleiros da empresa Pan China, nas imediações da Centralidade do Kilamba, para constatar as condições de trabalho e salariais dos trabalhadores nacionais daquela empresa.
A visita surge na sequência de denúncias feitas por trabalhadores, a 16 de Janeiro de 2026, sobre um inicidente que culminou na morte de 5 trabalhadores, as péssimas condições de trabalho e salariais, bem como a falta de condições de higiene e segurança no trabalho.
Durante a visita, os Deputados constataram as degradantes condições de acomodação nos dormitórios dos trabalhadores angolanos, em quartos adaptados para 10 pessoas num contentor de 20 pés sem climatização, enquanto os trabalhadores chineses estão acomodados em grupos de 5 elementos, num contentor de 20 pés com climatização. Outras diferenças abismais de falta de humanidade foram notadas nas degradantes condições dos balneários, banheiros e cozinha, onde, do lado dos trabalhadores angolanos, mais se parecem a pocilgas, com uma refeição indigna e sem os ingredientes necessários.
Os trabalhadores denunciaram, igualmente, os baixos salários que auferem (70 mil kwanzas), contra os 100 mil de salário mínimo nacional decretado pelo Executivo. Temem, igualmente, por represálias, traduzidas em prováveis despedimentos, por terem acolhido a delegação de Deputados.
Terminada a visita, a delegação rumou para a sede da Inspeção-Geral do Trabalho (IGT), com o objectivo de dar a conhecer o que encontrou nos estaleiros da Pan China e obter garantias de uma intervenção urgente daquele órgão do Estado vocacionado, o que, lamentavelmente, não surtiu efeitos por indisponibilidade dos responsáveis da IGT.
A delegação, chefiada pelo Deputado Conceição Paulo Faria, contou com os Deputados Maria do Espírito Santo Monteiro, Ariane Nhany e Arlindo Miranda, bem como o assessor Emanuel Bianco.
O Grupo Parlamentar da UNITA vai continuar a envidar esforços para junto das autoridades competentes obter garantias da melhoria das condições de trabalho naquela e noutras empresas de onde surgem denúncias de atropelos à lei, por parte das entidades empregadoras. Vai, igualmente, denunciar a impunidade de muitas empresas que gozam de protecção dos órgãos afins por serem propriedade de membros ligados ao poder em Angola, como é o caso da Pan China.
Luanda, 18 de Fevereiro de 2026
