Fala-se muito dos pseudo benefícios resultantes do fim do conflito armado mas pouco ou nada se diz sobre o preço que alguns tiveram de pagar para que a paz fosse possível. A verdade é clara: a UNITA pagou um preço excessivamente elevado para a paz em Angola.
Convém recordar que a UNITA não surgiu como um mero capricho de Jonas Savimbi, nem como um projeto aventureiro, mas no contexto da luta de libertação nacional, com a missão de levar a guerra de independência bem mais para o interior do país, enquanto outros instalavam os seus Quartéis generais em Kinshasa e Brazzaville
Foi por essa razão que a vertente armada da UNITA foi a sua maior força, chegando a constituir um verdadeiro exército de mais de cem mil homens, num Estado paralelo que desafiava, com legitimidade, a ditadura de partido único intalada em Luanda.
A transformação desse exército num partido político civil foi um processo doloroso mas feito com sentido de responsabilidade histórica:
Ordenar oficiais generais e superiores a deporem as armas;
Aquartelar mais de 150 mil efectivos e desmobilizá-los;
Proceder ao desarmamento total e absoluto de todos os efectivos;
Levar a cabo um trabalho profundo de desmilitarização das consciências, tão eficaz que, mais de 23 anos depois, nunca houve sinais de resistência armada ou tentativas de retorno à guerra.
Quem ousa, perante os factos acima referenciados, questionar a boa-fé da UNITA no processo de paz, apenas mente deliberadamente ao povo angolano.
O que vemos hoje é uma tentativa grosseira do regime, que governa Angola desde 1975, de reescrever a história e fabricar bodes expiatórios. Associar a UNITA à instabilidade é uma manobra política de diversão, um expediente de quem não quer assumir as suas próprias falhas. É uma forma de distrair a opinião pública das reais dificuldades do país, nomeadamente o desemprego galopante, a pobreza crescente, os serviços públicos em colapso e a corrupção entranhada no aparelho do Estado.
É preciso dizer sem rodeios: se Angola continua mergulhada na crise, não é por causa da UNITA, mas porque o MPLA nunca soube governar sem recorrer ao medo, à exclusão e à manipulação.
A paz não foi obra exclusiva do governo, foi um sacrifício colectivo em que a UNITA deu mais do que recebeu. Tentativas de inverter esta verdade histórica não passam de insulto à memória dos que tombaram e traição aos que acreditaram no futuro.
Alguns, por razões de cultura política e conveniência, ainda desejariam que Angola vivesse sob o espetro do medo da guerra. Essa narrativa, porém, não encontra qualquer sustentação na realidade actual.
Ao contrário do que aconteceu em 1975 e em 1992, hoje apenas as instituições do Estado têm condições de beligerar.
É precisamente por isso que está definitivamente afastada qualquer possibilidade de retorno a um conflito armado. O que resta, então, é a tentativa de manipular a opinião pública através da associação forçada da UNITA ao chamado “novo conceito de terrorismo”, uma construção artificial, adoptada pelas autoridades para justificar a manutenção do medo como instrumento de poder.
Angola não precisa de falsificadores da história, precisa de líderes capazes de transformar o calar das armas em paz social, justiça, democracia e desenvolvimento.
O resto é ruído de quem teme perder os privilégios conquistados à custa do sofrimento do povo.
NÃO À TENTATIVA DE FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA
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