Por Kamalata Numa
Huambo, 24/08/2925
A narrativa do suposto “terrorismo” construída pelos Serviços de Investigação Criminal (SIC) em Angola, com o apoio tácito e público do MPLA e de seus aliados internos agrupados no chamado movimento de resgate, tem servido menos para consolidar a estabilidade e mais para corroer os alicerces do ambiente político, económico, social e cultural do país. Longe de contribuir para a paz social, este discurso fabricado tem mergulhado Angola numa perigosa deriva republicana, com crises visíveis em todos os domínios da vida colectiva.
A acusação de “terrorismo” imputada a dirigentes legítimos da UNITA não encontra sustentação real. Trata-se de uma estratégia política que visa: descredibilizar a maior força da oposição e criar divisões artificiais no seu seio, manipular a comunidade internacional, associando a oposição democrática a práticas de instabilidade e violência.
Em vez de garantir segurança, esta narrativa tem reforçado a imagem de um regime inseguro e autoritário, disposto a criminalizar adversários em vez de enfrentá-los no campo da legalidade democrática.
O chamado movimento de resgate constitui uma plataforma de dirigentes dissidentes ou instrumentalizados, que ao invés de defenderem a unidade e a legalidade, alinham-se com as estratégias do MPLA para fragilizar a coesão interna da UNITA. Este movimento: Atenta contra os Estatutos aprovados no XIII Congresso Ordinário da UNITA.
Procura impor candidaturas à margem da legalidade partidária, ferindo o Artigo 54.º dos Estatutos, que define de forma clara a duração e os limites do mandato presidencial na UNITA.
Age sob anonimato e manipulação, queimando intermediários, enquanto os verdadeiros “chefes” se escondem nas sombras.
Trata-se de uma tentativa de subversão interna patrocinada externamente, um verdadeiro cavalo de Troia contra a democracia angolana.
A UNITA tem uma história de disciplina orgânica e de respeito pelas regras internas: Sob o Fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi, os Estatutos foram a bússola da organização.
Sob o Presidente Isaías Samakuva, durante 16 anos, o Partido tinha Estatutos.
Hoje, sob a liderança de Adalberto Costa Júnior, eleito no XIII Congresso Ordinário, a UNITA reafirma o compromisso com a legalidade democrática e o respeito às suas normas internas.
O artigo 54.º é taxativo:
- O mandato do Presidente da UNITA é de quatro anos, com início na investidura em Congresso e fim na investidura do sucessor.
- O limite é de dois mandatos consecutivos e um interpolado.
Qualquer tentativa de contrariar estes preceitos é anti’-democrática e ilegítima.
À UNITA cabe proteger três pilares de sua identidade histórica e institucional:
O Fundador Jonas Malheiro Savimbi, símbolo de unidade e coesão interna do Partido.
O ex-Presidente Isaías Samakuva, que durante 16 anos dirigiu o Partido em contextos complexos.
O actual Presidente Adalberto Costa Júnior, eleito em Congresso legítimo e reconhecido pelos militantes e pela sociedade.
A missão da UNITA é preservar a continuidade da sua história pelas vias legais, estatutárias e legítimas, nunca pelas imposições externas de grupos paralelos que não têm normas e dirigentes legais e ligitimados.
O movimento de resgate, escondido no anonimato e operando nas margens da legalidade, não possui legitimidade moral nem política para falar em nome dos membros e militantes da UNITA. Ao alinhar-se com o MPLA, torna-se cúmplice de uma estratégia que ameaça a estabilidade democrática do país.
Como aconteceu com a anulação do XIII Congresso Ordinário pelo Tribunal Constitucional, esta tentativa não passará. O curso da história da UNITA continuará a ser feito pelos seus membros e militantes, orientados pelas suas instituições legais e pela vontade soberana da base partidária.
A aliança entre o MPLA e o movimento de resgate em torno da narrativa do suposto terrorismo é uma operação de guerra política e psicológica contra a democracia. Mas a força da UNITA está na sua disciplina estatutária, na legitimidade de seus Congressos e no compromisso histórico com o povo angolano.
OBRIGADO!



