Luanda acolheu este sábado, 7 de Fevereiro de 2026, no Auditório das Irmãs Paulinas, em Vila Alice, uma mesa redonda promovida pela Associação Académica Renascer Juvenil para debater a democracia em Angola e os seus desafios actuais. O encontro reuniu figuras de reconhecida intervenção cívica e política, entre as quais o Vice-Presidente da UNITA para Organização e Administração Eleitoral, Mestre Álvaro Chikwamanga, em representação do Presidente do partido, Eng.º Adalberto Costa Júnior. O debate contou ainda com intervenções do advogado Dr. Sérgio Raimundo, do jornalista de investigação José Gama e do Padre Celestino Epalanga, Secretário-Geral da Comissão de Justiça e Paz da CEAST, sob moderação do Dr. Jonivânio da Costa e da Dra. Esmeralda Miza.
O evento transformou o auditório num espaço de reflexão intensa sobre o estado da governação, a participação cívica e os mecanismos de transparência institucional. A organização juvenil sublinhou que o objectivo foi criar “um diálogo aberto entre a juventude e vozes experientes da sociedade”, num momento em que o país enfrenta exigências crescentes por reformas estruturais e maior responsabilização pública.
Na sua intervenção, Álvaro Chikwamanga destacou a importância da integridade dos processos eleitorais e da confiança dos cidadãos nas instituições. Defendeu que “a democracia não se esgota no acto de votar; vive-se diariamente na fiscalização, na liberdade de expressão e na justiça independente”. A sua presença, em representação directa da liderança da UNITA, conferiu peso político ao encontro e atraiu forte interesse do público jovem presente.
O advogado Sérgio Raimundo trouxe ao debate a dimensão jurídica, sublinhando que o fortalecimento do Estado de Direito depende da aplicação imparcial das leis e do combate à impunidade. Já o jornalista José Gama focou-se na liberdade de imprensa e no papel da investigação jornalística como pilar de transparência democrática, lembrando que “sociedades bem informadas tomam decisões mais conscientes”.
Um dos momentos mais marcantes veio da intervenção do Padre Celestino Epalanga, que abordou a justiça social e a ética na vida pública. Em nome da Comissão de Justiça e Paz da CEAST, defendeu que a democracia deve traduzir-se em dignidade humana concreta, acesso equitativo a oportunidades e políticas públicas centradas na pessoa.
O ambiente do debate foi pautado por respeito institucional, mas também por contrastes de perspectiva ,especialmente quanto ao ritmo das reformas políticas e à eficácia dos mecanismos de controlo do poder. Nos bastidores, participantes sublinhavam que encontros como este revelam uma juventude cada vez mais atenta e exigente, interessada não apenas em discursos, mas em resultados tangíveis.
Para a Associação Académica Renascer Juvenil, a iniciativa representa “um passo na construção de uma cultura de participação informada”, aproximando decisores, líderes religiosos, juristas e comunicadores do público estudantil. Observadores presentes consideraram que o diálogo plural é um sinal positivo de maturidade cívica, ainda que os desafios estruturais permaneçam profundos.
Num país onde a democracia continua em processo de consolidação, o que foi discutido neste auditório pode ecoar para além das paredes que acolheram o encontro. Afinal, como frisou um dos intervenientes, o futuro democrático de Angola dependerá menos das promessas e mais da coragem colectiva de transformar debate em acção.
UNITA – CONSOLIDAÇÃO DA AMPLA FRENTE PATRIÓTICA PARA A ALTERNÂNCIA DO PODER
