Os dados foram revelados pelo Presidente da UNITA Adalberto Costa Júnior, nesta segunda-feira, 7 de Julho de 2025, durante a III Edição do Espaço “Conversas Economia sem Makas”, organizada pelo jornalista Carlos Rosado de Carvalho, onde o líder da UNITA foi o convidado especial em que falou sobre o programa de governo do seu partido em relação à economia.
Durante a sua intervenção o Presidente da UNITA afirmou que, a população em Angola cresce a 3,7 por cento ao ano, uma das taxas mais altas do mundo, mas a economia cresce a 1, 2 por cento ao ano quando atinge estes números. Temos mais de 17 milhões de pobres, 13 milhões de angolanos passam fome, mais de 7 milhões estão no desemprego, mais de 4 milhões de crianças estão fora do sistema de ensino.
Segundo o líder partidário, temos uma das maiores taxas de mortalidade infantil, 900 mil jovens entram no mercado de trabalho anualmente, mas a economia gere empregos a um ritmo insuficiente, a uma média de cerca de 200 mil por ano.
O Presidente da UNITA revelou que, em 23 anos de paz, de acordo com estudos internacionais Angola neste período tempo perdeu cerca de 600 mil milhões de dólares em corrupção, em má gestão, em capital flight (fuga de divisas), também em oportunidades fiscais que foram desperdiçadas.
Existem cerca de 3 mil milhões de dólares em dívidas não pagas, angolanas, disse o responsável partidário, para quem, desde os anos 90 o estado angolano falta sistematicamente aos seus compromissos com fornecedores locais, perto de 800 contratos certificados e muito mais não foram contabilizados, valor total em atrasos, esses 3 mil milhões de dólares.
O responsável da UNITA apontou com resultado dá má gestão da economia do país, a asfixia às empresas locais, com despedimentos e falências, com preços inflacionados, os fornecedores cobram mais para compensar o risco; pressão sobre o kwanza – desvalorização e inflação.
Para o Presidente do maior partido na oposição em Angola, a solução dos problemas apontados residem em mais transparência, mais responsabilidade, auditórias independentes a todas as dívidas internas e externas, pagamento imediato aos fornecedores locais em moeda e não em títulos como se tem feito.
“Fim dos ajustes diretos na contratação pública, investimento em capital produtivo, estradas, energia, água. Só assim se quebrará esse ciclo de empobrecimento. Angola não é pobre, foi tornada pobre por más políticas. Mas, o futuro ainda pode ser escrito de uma outra forma”.
Segundo o líder da UNITA que associou também o problema económico à falta da verdadeira democracia, afirmou que, Temos um presidencialismo absoluto, multipartidarismo de fachada, com um só partido estado – que é dominante, defendo que a constituição de 2010 consagrou um presidencialismo imperial, sem mecanismos de responsabilização.
“Temos a captura das instituições, o judiciário subordinado ao executivo, um parlamento decorativo sem poder real de fiscalização, uma imprensa controlada – sem liberdade crítica, eleições como mera formalidade sem alternância real do poder, acumulação primitiva de capital por uma elite política e empresarial, o poder pelo poder – tudo gira a volta da presidência sem separação de poderes, o país depende da vontade de um homem, não de instituições sólidas”, disse o líder da UNITA, afirmando que, os efeitos destas realidades são a falta de crescimento, o colapso económico e social – a economia que não atinge os objectivos.
“Ao comemorar 50 anos de independência, Angola enfrenta uma crise socio económica com índices alarmantes, se tivermos em conta as suas potencialidades, volto a repetir, o balanço preocupa”, disse Adalberto Costa Júnior, Presidente da UNITA.